Confira o resumo das principais notícias do nosso jornalzinho (número
16 - janeiro 2002):
O
Ritmo na ponta dos pés
O
sapateado americano (tap dance)
está cada vez mais presente na nossa escola.
Veja mais mais detalhes sobre esta dança, irmã de origem do
Swing e Lindy Hop.
Trabalho
versus lazer cultural
Quando vimos as duas torres do World Trade
Center desabar, percebemos que não era somente a tragédia do
atentado em si, mas que ruía um dos símbolos da imponência econômica
do capitalismo. A partir daquele momento diversos conceitos sobre várias
áreas se modificaram ou caminham para alterações: o poder econômico
– algo externo ao ser humano – em detrimento ao valor interno da
pessoa – quanto vale a vida?
A sociedade
ocidental sempre educou a todos, de forma velada, pregando que deve
se viver para trabalhar e não o inverso; “Lazer é perda de
tempo, o importante é produzir”. Cada vez mais a
competitividade torna-se desleal
e as pessoas têm cada vez menos tempo para elas mesmas. Para
atingir uma posição hierárquica melhor, o profissional se
desdobra fazendo diversos cursos de atualização e fica na ilusão
de que o seu concorrente ficou para trás, porém ele também está
se atualizando. E a vida passa, a luta pelo emprego continua
enquanto a saúde permitir. Depois vem a aposentadoria e o sonho de
começar a viver chega à tona. Quanto resta de tempo de vida e de
saúde?
Quantos casos
presenciei de alunos nossos desistindo de fazer aulas de dança por
não terem tempo e por necessidade de fazerem os tais cursos de
atualização. A qualidade de vida não é só ter um bom rendimento
financeiro mas, principalmente, é não esquecer de viver. Será que
vale a pena sacrificar momentos de lazer cultural para fazer um
trabalho que não agrada? Interessante seria acharmos um meio termo
entre estes pontos. Platão acreditava que um dos caminhos para o
ser humano viver feliz fosse buscar o arquétipo do belo através da
arte. Por que não modernizamos este conceito para a dança de salão?
Atualmente cada vez mais pessoas procuram a cultura e o lazer. Os Shopping
Centers estão aumentando a programação cultural; o conceito
de livrarias mudou e o consumo de cultura aumentou. Na dança de salão
não é diferente. Há dez anos podíamos contar nos dedos a
quantidade de escolas de dança que existiam. Hoje, além da procura
pela dança de salão e o número de escolas ter aumentado, a exigência
por qualidade também aumentou. As pessoas estão descobrindo que
esta é uma atividade social, cultural e promove a saúde física,
psíquica e mental. Estas mesmas pessoas também perceberam que nas
práticas de dança de salão não há a necessidade de competição
(apesar de alguns acharem que precisa), basta sentir a emoção de
tocar o parceiro e deixar a magia da arte e do belo se manifestar.
Viva e seja feliz, de preferência dançando.
Por Vladimir Udiloff
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