Às vezes ouço comentários que me deixam
perplexo, tais como “...chorinho é música do século passado,
temos que ouvir músicas que tocam na rádio...” A frase por si só
já é um grande absurdo. Se o chorinho existe até
hoje, com mais de um século de vida, é porque está comprovada a
qualidade desse grande estilo musical.
Pode-se considerar o chorinho como música clássica e popular
brasileira, sem ser monótona, mas sim alegre e dançante.
O que podemos dizer de músicas compostas e
interpretadas por Chiquinha Gonzaga, Antonio Callado, Pixinguinha,
Ernesto Nazareth, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Paulo Moura,
Abel Ferreira,
Raul de Barros, Zé da Velha, Zé Nogueira, Silvério Pontes,
Altamiro Carrilho e centenas de outros,
verdadeiros ícones da MPB?
Outras pérolas que as pessoas dizem: “...não
podemos ser radicais, nos bailes têm que tocar mais sambas, pagodes
e forrós...” Tenho que concordar. Porém falta definir quais são
essas músicas. Se são aquelas de Noel Rosa, Cartola, Ismael Silva,
Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho,
Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Fagner, etc; ou se são os
pagodes, axés e forrós de grupos oportunistas, que lançam
no mercado, apoiados pela mídia, músicas com arranjos pobres e
letras chulas, que duram no máximo uma temporada. Elas são o
suficiente para nos esgotar os ouvidos com canções com temas
repetidos de dor de cotovelo, e coreografias em que se enaltece “a
bundinha, o peitinho, o umbiguinho, etc”.
Infelizmente somos bombardeados pela mídia.
Ela despeja lixo em nossas casas e nós aceitamos aquilo como
cultura. Se falta cultura ao povo, é dever também de uma escola de
dança tentar mostrar que existem músicas
de qualidade, feitas para serem eternizadas. E as descartáveis,
feitas para durar três meses e faturar três milhões. Não podemos
ser passivos, se 90% da programação das emissoras de TV e rádio são
de péssimo gosto, vamos desligar o aparelho e procurar outros meios
para nos educarmos e nos divertirmos.
Será que atualmente só o lucro importa? Onde
chegaremos se somente as cifras comandarem as nossas vidas? Então a
arte, a educação, o bem estar e o bom gosto devem ser coisa do
passado!
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Andrei Udiloff
é professor de dança de salão.
Aparecemos
na TV!
-Na Rede Mulher:
No programa VIVER do dia 11/ago, a apresentadora Liliane Ventura
conversou com Andrei e Cris e mais Vitor Costa e Margareth
Kadosh sobre o Baile de samba e tango no Carioca Club,
e fizeram uma breve
demonstração do ritmo.